A internet já foi parcialmente restabelecida e o Telegram circula vídeos de abraços emocionados de militares com seus familiares e telefonemas de moradores de Kherson para parentes e amigos que deixaram a cidade nas primeiras semanas de ocupação, quando ainda havia rotas de fuga : “Somos livres, Slava Ukraïni (Glória à Ucrânia).”

Kherson, uma cidade de língua russa, hoje fala ucraniano. Esta é uma das consequências mais claras dos meses de ocupação russa. Nos vídeos que chegam de Kherson, ouvem-se ucranianos conversando nas ruas, em telefonemas entre os libertados e seus familiares. Está escrito em ucraniano nos chats do Viber nos bairros e nos grupos locais do Telegram, mesmo naqueles que até 24 de fevereiro usavam o russo como língua de comunicação. De fato, como escreve Andrew E. Kramer no New York Times, a guerra “acelerou o fosso cultural entre a Rússia e a Ucrânia”. O oposto do que Vladimir Putin esperava.

Durante os meses de ocupação, o ucraniano havia sido banido. Não era permitido falar ucraniano ou ouvir músicas em ucraniano. As pessoas poderiam ser revistadas na rua, caso fossem encontradas fotos consideradas incriminatórias em seus celulares – poderia ser uma simples selfie vestindo a vyshyvanka, a camisa tradicional ucraniana – corriam o risco de serem espancadas ou capturadas.

Denis, que foi preso por participar de uma manifestação contra a ocupação no início de março, sabe bem disso. Eles o torturaram por dias em um porão. Ele emergiu mais determinado do que nunca para expulsar os ocupantes russos de sua cidade. Ele se tornou um dos ativistas da Faixa Amarela, a resistência de Kherson que, por meio de uma luta silenciosa, contribuiu para o sucesso da contra-ofensiva.

Olga, uma voluntária de Kherson, capturada por ter continuado sob ocupação para levar comida e remédios para idosos e mulheres deixadas sozinhas com filhos pequenos e maridos no front, também sabe disso. Olga foi libertada e hoje volta a distribuir ajuda humanitária.

Nos dias da retirada dos ocupantes, os colaboradores, que permitiram que o exército de Putin conquistasse a capital regional em poucas horas, fugiram. Alguns soldados russos permaneceram na cidade, misturando-se com os civis. Alguns deles já foram presos pelo serviço de segurança ucraniano, como confirmam alguns vídeos publicados nos canais locais do Telegram.

Entre fábricas a serem restauradas, supermercados vazios a serem abastecidos e estradas a serem desobstruídas, os que permaneceram em Kherson comemoram a libertação. As sirenes antiaéreas permanecem ao fundo, um lembrete de que a guerra na Ucrânia ainda não acabou. Em sua visita a Kherson, o presidente Volodymyr Zelensky, entretanto, acendeu a esperança “do início do fim do conflito”.



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